CloudStack ou OpenStack? Entenda as diferenças!

23 de março de 2023

Em se tratando de tecnologia, um dos grandes assuntos desse primeiro trimestre de 2023 é sem dúvida, o Chat GPT. A inteligência artificial disponibilizada ao mercado pelo Open AI, chegou ao impressionante número de 100 milhões de usuários dois meses após o lançamento. Esse dado faz do aplicativo o recordista na rapidez  de adoção na história. Uma demonstração clara do protagonismo das ferramentas digitais para o mundo atual.

E aqui estamos tratando de um único exemplo: A automação tem sido o principal fator para alavancar competitividade nas organizações. Muito além da inteligência artificial para atendimento de clientes, o RPA (robotical process automation ou automação robótica de processos), internet das coisas, ciências de dados, e para nós provedores, web 3.0 e infraestrutura como código (IaC), tem sido as forças motrizes de inovação dos últimos anos. Assim como a Open AI e o Chat GPT, o código aberto (ou open source) é a principal característica dessas inovações. Para para pensar em nosso mercado de infraestrutura de TI: Containers, NoSQL, SDS… todas as inovações dos últimos anos provém de código aberto.

Esse cenário exige uma mudança profunda nos negócios de provedores de serviços. Talvez seu cliente hoje não demande características de automação e  DevOps, porém é muito provável que seu novo cliente sim. Aliás, seu consumidor (o gerente de TI do seu cliente atual) prefere que você faça as operações complexas por ele né? Pois bem, é provável que, em alguns anos, seu consumidor atual seja substituído por alguém da geração que nasceu com a Internet. Quando isso acontecer, é muito provável que seu novo consumidor demande ferramentas de automação e DevOps.

Não é somente adaptar-se às novas demandas de clientes e consumidores: A automação é um recurso poderoso para melhorar a produtividade dos times do  provedor de serviços. Dado sua característica de gestão centralizada de toda a infraestrutura de TI do provedor, estima-se que ferramentas de automação e orquestração de nuvem conseguem aumentar em até 60% a produtividade dos times. Ou seja, mesmo que seu negócio foque em serviços de gerenciamento, onde ferramentas de autoatendimento fazem menos sentido, a automação permite que você cresça sua base de clientes, sem o aumento de custos com mão de obra.

Esta tendência de automatização é acelerada pela computação de borda – ou edge computing: Com a pulverização de infraestrutura de TI para as bordas das redes,  aumenta ainda mais a necessidade de controle centralizado de constelações de data centers. Com o passar do tempo, é possível que ferramentas de orquestração não sejam mais um diferencial, e sim, algo necessário para viabilizar os negócios do dia-a-dia.

Adicionalmente, ao adotar orquestração e automatização, você elimina as barreiras dos seus serviços IaaS, quando comparados ao da concorrência internacional. O provedor passa a compartilhar uma série de protocolos e padrões das nuvens públicas, como nuvens híbridas através de VPC (Virtual Private Cloud), além de viabilizar novos modelos de cobrança como medidas e por hora. Isso traz um alto grau de maturidade para seus serviços, e suporte a esteiras CI/CD, DevOps e IaC.

Nesse sentido, ganha impulso a visão cloud native, relacionada a aplicações e tecnologias nativas da computação em nuvem, que permitem níveis de automação sem precedentes. E aqui entram em cena as plataformas OpenStack e CloudStack, softwares open source para orquestração de nuvens computacionais cujos conceitos e diferenças vamos explorar nesse artigo.

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OpenStack e Apache CloudStack: ferramentas para uma TI moderna

Antes de tratarmos do que diferencia as duas plataformas, cabe registrar os fundamentos de ambas, começando pelo seu principal ponto comum. OpenStack e CloudStack são sistemas OSS (operations support system), ou seja, são automação para lidar com seus clientes nas fases de implantação e operação. Ambos são softwares de código aberto altamente aderentes aos desafios mais atuais das corporações de diferentes tamanhos e segmentos, em se tratando de orquestração em nuvem nativa de nuvem.

Trata-se de uma solução assertiva de automação para o trabalho de implantação e gerenciamento não somente dos nós computacionais, mas também do armazenamento e das redes que formam a estrutura de nuvem. Através do uso de painéis de controle ou interface gráfica (GUI), interface de linha de comando (CLI), ou interface de programação de aplicações (API), o provedor, o cliente, o consumidor; ou parceiros por eles autorizados conseguem gerenciar toda a infraestrutura de TI de maneira centralizada. Permite implantar, administrar e configurar espaços de computação seguros e segmentados conforme a carga de trabalho.

O Apache CloudStack (ACS) é considerado o orquestrador com a maior maturidade do mercado, sendo lançado em em 2008, e líder em número de downloads. Tem arquitetura monolítica (um único executável), e utiliza tecnologias bem estabelecidas. A maior vantagem do ACS é a facilidade de deploy, e a necessidade de mão-de-obra amplamente disponível: um SysAdmin Linux. Porém, o ACS está longe de ser Hype, e conta com um menor número de fornecedores apoiadores.

No caso do OpenStack, falamos de um sistema modular, o que permite uma arquitetura totalmente distribuída, e altamente escalável. Tem o maior número de fornecedores apoiadores, e tem sido o Hype das rodas de TI. Porém a arquitetura modular também traz suas desvantagens: é um sistema muito mais complexo, com interdependências entre os módulos (ou projetos open source) que nem sempre estão bem resolvidas, necessitando, na maioria das vezes, mão de obra de desenvolvedores.

Dadas suas funcionalidades e características técnicas, o ACS é recomendado para o estabelecimento de nuvens computacionais heterogêneas, enquanto o Openstack lida melhor com ambientes homogêneos.

Ambos os softwares viabilizam uma camada de abstração eficaz para as infraestruturas de nuvem, permitindo a construção e operação de nuvem privada, pública ou híbrida. Tanto OpenStack quanto CloudStack são capazes de automatizar sua infraestrutura de TI, falamos de plataformas bastante similares em termos de serviço e entrega, mas com funcionalidades e operacionalidade bastante diversas, como veremos a seguir.

Um olhar sobre as diferenças entre OpenStack e CloudStack

Repassados os pontos comuns que fazem do CloudStack e do OpenStack líderes de mercado para a criação e gerenciamento de infraestrutura em nuvem, vamos mapear as principais diferenças entre os dois:

 

OpenStack CloudStack
HISTÓRIA Iniciado em 2010 pela RackSpace, com apoio da NASA. Em 2012 o RackSpace criou uma fundação independente, a OpenInfra Foundation Iniciado em 2008 pela startup VMOps (Cloud.com). Em 2010 a Cloud.com primeira versão estável. Em 2011 a Cloud.com foi comprada pela Citrix. Em 2012 o projeto foi doado à fundação Apache
ALGUNS USUÁRIOS No Brasil: UOL, Sky.One, BBVA No Mundo: Santander, Deutsche Telekom,Target No Brasil: Locaweb, Ufinet,

Unicamp. No mundo: Oracle, British Telecom, Apple

ARQUITETURA
(Tipo de plataforma)
É uma plataforma de orquestração de nuvem modular, uma coleção de projetos separados Open Source interdependentes e desenvolvidos de maneira independente É uma plataforma de orquestração de nuvem monolítica que utiliza tecnologias estabelecidas
ARQUITETURA
(Componentes)
Utiliza componentes para suportar cada função de nuvem necessária. Alguns exemplos são o Keystone, para autenticação e autorização, o Nova para gerenciamento de instâncias de máquinas virtuais, o Glance, para gerenciamento de imagens de máquinas virtuais É um componente único, executável gerado partir da árvore de ramificação principal da comunidade. Isso remove completamente qualquer dependência, já que o mesmo código de base é usado para gerar um único executável;
SEGREGAÇÃO Usuários, Responsabilidades e  Projetos são usados para agrupar múltiplos inquilinos Além de Projetos, Usuários e Responsabilidades são isolados em uma hierarquia de Domínio o que facilita a manipulação de múltiplos inquilinos ou tennants;
COMPUTAÇÃO Pode utilizar diversos hypervisors; porém não suporta de maneira nativa mais de um hypervisor, simultaneamente. Pode-se utilizar o conceito de etiquetagem (tags) para alcançar resultados parecidos Suporte nativo simultâneo a diversos hypervisors. Pode-se utilizar o conceito de etiquetagem (tags) ou grupos de afinidade (affinity groups) para prover ambientes extremamente heterogêneos

 

Conclusão

De olho nessas diferenças, é possível uma simplificação: O Openstack foi concebido para escala massiva de ambientes homogêneos. Ou seja, provedores de serviços que atendem o varejo (pequenas e médias empresas), tendem a escolher o Openstack. Provedores de serviço que desejam atender médias e grandes empresas, geralmente optam pelo Apache Cloudstack. Isso porque o ACS lida melhor com a entrega de ambientes heterogêneos e legados.

Lembre-se que toda simplificação deve ser entendida como tal: Uma maneira simples de comunicar algo que é bem complexo, e as exceções sempre irão justificar a regra. A SC Clouds conta com um time de especialistas para o planejamento, desenvolvimento, construção e gerenciamento dos ambientes de Cloud e Edge Computing para provedores.

Para entender melhor como fazer desses softwares as ferramentas para inovação dos seus serviços digitais, converse agora com um de nossos especialistas.

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